Morte.

Tenho medo. Nem sempre foi assim. Houve uma época em que me conformei, me convenci de que a vida não é só isso, que há mais do que sabemos... Mas agora, esquece. Esse pensamento é um tormento constante, pensar em perder quem amamos assim, de uma hora para outra, sem aviso prévio. Esse medo me faz lembrar que daqui a alguns poucos anos não terei meus avós por perto e, mais para frente, nem meus pais. A vida é um tanto triste: perdemos quem amamos, esperamos nossa hora chegar e deixamos sofrimento a quem nos ama. Não me conformo. Existem horas em que preferia não ter nascido... Para que aprender, criar vínculos, se depois de nada servirá ? Será que alguém pensa assim também ? Não ligo se houver discordância, mas às vezes penso em escolher um momento para acabar com tudo isso, quando eu me sentir preparada ao invés de esperar o tempo, a esmo. A morte é inevitável, somos apenas animais, mais frágeis que um animal irracional, criaturinhas com sentimentos. Antes não tivesse-os. Mas, do mesmo modo, assusta imaginar sua vida sem você. Nó na garganta, medo, desespero, lágrimas, saudade antecipada... O que fazer da vida até a hora da morte ? Do que adiantará tudo o que fizermos se, no final, deixaremos tudo para trás ? Não pretendo ter filhos, e justamente esse deve ser o motivo para se viver: deixar bens, condições para eles crescerem na vida e assim continuamente com nossos netos, bisnetos, tataranetos... Se não os terei, só preciso sobreviver. O viver a toa me aterroriza. Morte... Ao mesmo tempo que assusta, é atrativa. Acho que realmente vivemos em função de terceiros, nossa vida não é exatamente nossa, mas "deles".

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