Ausência.

Sua ausência, seu sumiço me preocupa. Muito. Ao mesmo tempo que não é da minha conta, é do meu interesse. Não tem como deixar para lá quando se trata de você. Fingir que não se importa. Isso sim é para qualquer um, pois é bem mais fácil aos olhos da sociedade. Ter coragem de assumir o que se sente é para os fortes, dar a cara para bater. Ultimamente, notícias são meu único conforto, mas elas sumiram.

Vazio.

Dentro de mim. Sinto falta, vontade, dor. É verdade, doi. Mas como um vazio pode doer ? Ser humano complicado. Sentir o efeito psicológico e físico e aprender a seguir adiante dessa forma. O vazio sufoca, arde, aflige. Não quero pessoas frustrantes ao meu lado, me afasto delas, pois esse vazio me acompanhando incessantemente já basta e já exerce toda essa função de me aborrecer, me afundar. Mais torturante é não saber como preencher e não creio que algum dia saberei. Esse vazio até tem definição, mas oculto.

Morte.

Tenho medo. Nem sempre foi assim. Houve uma época em que me conformei, me convenci de que a vida não é só isso, que há mais do que sabemos... Mas agora, esquece. Esse pensamento é um tormento constante, pensar em perder quem amamos assim, de uma hora para outra, sem aviso prévio. Esse medo me faz lembrar que daqui a alguns poucos anos não terei meus avós por perto e, mais para frente, nem meus pais. A vida é um tanto triste: perdemos quem amamos, esperamos nossa hora chegar e deixamos sofrimento a quem nos ama. Não me conformo. Existem horas em que preferia não ter nascido... Para que aprender, criar vínculos, se depois de nada servirá ? Será que alguém pensa assim também ? Não ligo se houver discordância, mas às vezes penso em escolher um momento para acabar com tudo isso, quando eu me sentir preparada ao invés de esperar o tempo, a esmo. A morte é inevitável, somos apenas animais, mais frágeis que um animal irracional, criaturinhas com sentimentos. Antes não tivesse-os. Mas, do mesmo modo, assusta imaginar sua vida sem você. Nó na garganta, medo, desespero, lágrimas, saudade antecipada... O que fazer da vida até a hora da morte ? Do que adiantará tudo o que fizermos se, no final, deixaremos tudo para trás ? Não pretendo ter filhos, e justamente esse deve ser o motivo para se viver: deixar bens, condições para eles crescerem na vida e assim continuamente com nossos netos, bisnetos, tataranetos... Se não os terei, só preciso sobreviver. O viver a toa me aterroriza. Morte... Ao mesmo tempo que assusta, é atrativa. Acho que realmente vivemos em função de terceiros, nossa vida não é exatamente nossa, mas "deles".

Tédio.

Outra madrugada com a mesma companhia. Olá insônia! Seja bem-vinda, velha amiga. Obrigada por estar comigo todos os dias encaminhando-me ao tédio, patética. E o tédio ? Ah, o tédio me faz refletir sobre a vida, portanto, ó vida tediosa! Sempre as mesmas culpas, desculpas, histórias, decepções; os mesmo sofrimentos, descontentamentos, suspiros, desesperos. Sempre despistando o coração, a memória, os problemas, a saudade - tudo - num copo com grande teor alcoólico. Ouvindo reclamações, onde te cercam de culpa por algo totalmente aleatório, pois alguém precisa ser o responsável por cada erro cometido, não é mesmo ? Sim, é bem desse modo. Há uma revolta interior controlada soltando-se aos poucos, mas o controle está prestes a me virar as costas e, se aos poucos já surpreende, não espere uma surpresa com o todo. Qual seria a reação ? Talvez uma nova revolta causada por essa, é assim que as coisas tomam seu espaço, se multiplicam. Maldita confusão! Mas... você, sabe mesmo o que sente ? Tem certeza ? Repense. E você, quem lhe dá o direito de cobrar o que você mesmo não faz ? A vida é um vai e volta. Chega! Hipócritas. Me tirem desse tédio reflexivo, talvez incoerente e altamente cansativo.