Alguém.

Não acredito que vou dizer isso, mas sinto falta de alguém. Eu, que ultimamente me tornei tão independente, sentindo falta de alguém. Me refiro àquela pessoa que você pode amar, abraçar, morder, beijar, mexer no cabelo, chamar de amor etc e etc. Pensei que isso nunca me faria falta, mas aí está. Sabe o que é ter aquela pessoa que você abraça ao final do pior dia da sua vida e de repente, como mágica, o peso de seus ombros cai por terra? Aquela pessoa que somente a voz e um mero toque consegue mudar seu humor? Que faz suas lágrimas serem mais leves, mas que quando dizem respeito à pessoa, se tornam as mais dolorosas possíveis. Que lhe traz de volta a inocência de uma criança quando te acolhe nos braços e te mima. Que também te desperta vontades. Que faz seus problemas diminuírem pelo simples fato de saber que alguém realmente se importa. É quem te traz paz. Não digo que a felicidade depende de outra pessoa, nós a fazemos, mas é mil vezes melhor ter alguém por perto, não é? Claro, nem tudo é um mar de rosas, mas a graça se esconde nesses detalhes. Nas brigas bobas que depois se tornam tão ridículas, nas manias que cada um tem e que precisam ser suportadas e até nas mancadas, que muitas vezes servem de aprendizado. Como isso é doce, e como é amargo. É.

Antes que seja tarde.

Estou fora de um padrão. Acho bom, mas sempre há pessoas com pobreza de caráter por perto. Chega de intrigas, chega de insatisfação com a vida, estamos aqui para aprender com as próprias experiências, não observando as de outra pessoa. Caiu? Levanta, deixa passar e leve uma lição. Doeu? Doeu, mas nada que o tempo não possa amenizar. Se supra com suas conquistas, não com derrotas alheias. Se necessário, tente se encaixar fora do padrão... Entende? Ponha a cara a bater mesmo. Como disse Mário Quintana: "Sentir primeiro, pensar depois". Dá errado? Muito. Dá certo? Demais. Afinal, não sairemos vivos dessa e todo problema é obrigatoriamente passageiro. Quando o tempo estiver acabando, ninguém vai lhe dar mais tempo para fazer o que não fez por causa dos outros, e aí já era. Nossa felicidade é a gente quem faz, somente a gente. Pare de se comportar como esperam se em mente há outra vida - a de verdade - que não ganha o espaço que merece. Viva tudo o que puder antes que seja tarde, pois os outros, são só os outros.

I don't give a damn.

Foi-se o tempo em que eu me preocupava com o que os outros pensariam sobre minhas atitudes, sobre minhas ideias, sobre minhas opiniões, sobre mim. Cansei de tentar mudar minha índole em função de terceiros, saí dessa alienação de hipocrisia. As pessoas que julgam não ligam para quem você é de verdade, nem tentam saber. Se suprem com desgraça, sensacionalismo e outras banalidades como fofocas e alguma espécie de bullying. São tão inferiores que apenas o ato de inferiorizar alguém lhe traz estado de felicidade e satisfação. Não dar a mínima é deixar de alimentar esse vício delas. E apesar disso não mudar as más línguas, doerá na consciência de cada uma quando estiverem sozinhas - sem emitir lixo verbal - tentando pensar na própria vida ao invés das dos outros. Elas perceberão que toda essa mesquinharia de espírito não passa de um modo inconsciente de camuflagem para esconder de si mesmo a droga que cada uma delas sabe que é. Ao invés de dizer: se olhem para depois poder julgar alguém, prefiro pedir que apenas tentem crescer. Não deve ser tão difícil.

Objetivos.

Afinal, o que é importante para você? Ter alguém ao seu lado e não estar sozinho nunca, ser bem sucedido custe o que custar e a quem custar, formar uma família ou ter seu próprio apartamento vivendo uma vida desregrada, acumular riquezas, fazer caridade ou até mesmo torrar tudo como se não houvesse amanhã, calcular cada passo ou até mesmo viver um dia de cada vez, sem preocupações. Emagrecer, passar por uma prova, praticar um esporte, perder um medo, completar os estudos, conquistar um cargo, dar a volta ao mundo, recuperar algo, entender nossa existência, revolucionar, deixar um vício, se apaixonar, se desapaixonar, amar. É fascinante a diversidade de objetivos das pessoas. É natural que os objetivos mudem de tempos em tempos, mas os meus mudam a cada dia, talvez até a cada hora. Minha vida é composta de minúsculos retalhos.. Como proceder?

Só.

Sentada na calçada de uma rua qualquer, vendo as horas passarem lentamente, semelhantes os segundos. A brisa toca meu rosto secando minhas lágrimas incessantes, deixando-as gelar. O corpo estremece a cada suspiro, a cada sussurro trazido pelo vento. Tudo ao redor se move numa velocidade que nego acompanhar. A mente flutua, sem uma direção certa. Pessoas passam, todas elas sem entenderem o motivo de minha atitude. Ninguém entenderia. O momento parece perfeito para se cometer loucuras. Uma anestesia mental onde os erros não seriam sentidos e as consequências seriam meros detalhes. E eu apenas fecho os olhos.

Dias (Im)perfeitos.

A maioria das pessoas sonham com dias perfeitos. Eu não. Todos os dias são "perfeitos" pelo fato de haver algo de diferente em cada um mesmo que, em alguns deles, as coisas cheguem a ser infernais. Julgando um dia qualquer como perfeito, o restante perderá a pouca graça que lhes restam pela vontade de revive-lo, esgotando-se a felicidade logo de uma vez. Os dias imperfeitos tem sua perfeição oculta, enquanto os perfeitos são mais imperfeitos do que se imagina.

Ausência.

Sua ausência, seu sumiço me preocupa. Muito. Ao mesmo tempo que não é da minha conta, é do meu interesse. Não tem como deixar para lá quando se trata de você. Fingir que não se importa. Isso sim é para qualquer um, pois é bem mais fácil aos olhos da sociedade. Ter coragem de assumir o que se sente é para os fortes, dar a cara para bater. Ultimamente, notícias são meu único conforto, mas elas sumiram.

Vazio.

Dentro de mim. Sinto falta, vontade, dor. É verdade, doi. Mas como um vazio pode doer ? Ser humano complicado. Sentir o efeito psicológico e físico e aprender a seguir adiante dessa forma. O vazio sufoca, arde, aflige. Não quero pessoas frustrantes ao meu lado, me afasto delas, pois esse vazio me acompanhando incessantemente já basta e já exerce toda essa função de me aborrecer, me afundar. Mais torturante é não saber como preencher e não creio que algum dia saberei. Esse vazio até tem definição, mas oculto.

Morte.

Tenho medo. Nem sempre foi assim. Houve uma época em que me conformei, me convenci de que a vida não é só isso, que há mais do que sabemos... Mas agora, esquece. Esse pensamento é um tormento constante, pensar em perder quem amamos assim, de uma hora para outra, sem aviso prévio. Esse medo me faz lembrar que daqui a alguns poucos anos não terei meus avós por perto e, mais para frente, nem meus pais. A vida é um tanto triste: perdemos quem amamos, esperamos nossa hora chegar e deixamos sofrimento a quem nos ama. Não me conformo. Existem horas em que preferia não ter nascido... Para que aprender, criar vínculos, se depois de nada servirá ? Será que alguém pensa assim também ? Não ligo se houver discordância, mas às vezes penso em escolher um momento para acabar com tudo isso, quando eu me sentir preparada ao invés de esperar o tempo, a esmo. A morte é inevitável, somos apenas animais, mais frágeis que um animal irracional, criaturinhas com sentimentos. Antes não tivesse-os. Mas, do mesmo modo, assusta imaginar sua vida sem você. Nó na garganta, medo, desespero, lágrimas, saudade antecipada... O que fazer da vida até a hora da morte ? Do que adiantará tudo o que fizermos se, no final, deixaremos tudo para trás ? Não pretendo ter filhos, e justamente esse deve ser o motivo para se viver: deixar bens, condições para eles crescerem na vida e assim continuamente com nossos netos, bisnetos, tataranetos... Se não os terei, só preciso sobreviver. O viver a toa me aterroriza. Morte... Ao mesmo tempo que assusta, é atrativa. Acho que realmente vivemos em função de terceiros, nossa vida não é exatamente nossa, mas "deles".

Tédio.

Outra madrugada com a mesma companhia. Olá insônia! Seja bem-vinda, velha amiga. Obrigada por estar comigo todos os dias encaminhando-me ao tédio, patética. E o tédio ? Ah, o tédio me faz refletir sobre a vida, portanto, ó vida tediosa! Sempre as mesmas culpas, desculpas, histórias, decepções; os mesmo sofrimentos, descontentamentos, suspiros, desesperos. Sempre despistando o coração, a memória, os problemas, a saudade - tudo - num copo com grande teor alcoólico. Ouvindo reclamações, onde te cercam de culpa por algo totalmente aleatório, pois alguém precisa ser o responsável por cada erro cometido, não é mesmo ? Sim, é bem desse modo. Há uma revolta interior controlada soltando-se aos poucos, mas o controle está prestes a me virar as costas e, se aos poucos já surpreende, não espere uma surpresa com o todo. Qual seria a reação ? Talvez uma nova revolta causada por essa, é assim que as coisas tomam seu espaço, se multiplicam. Maldita confusão! Mas... você, sabe mesmo o que sente ? Tem certeza ? Repense. E você, quem lhe dá o direito de cobrar o que você mesmo não faz ? A vida é um vai e volta. Chega! Hipócritas. Me tirem desse tédio reflexivo, talvez incoerente e altamente cansativo.